Roda da Infelicidade – MOMENTO INSIGHT

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Roda da Infelicidade - MOMENTO INSIGHT
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Texto adaptado do livro Insight de Daniel C. Luz interpretado por Irineu Toledo. Ouça e compartilhe inspiração.

Henry estava deitado de lado, exausto, a uma pequena distância do moinho. Apenas o som rouco de sua respiração difícil quebrava o silêncio da manhã.

Vagamente Henry conseguia recordar a onda de adrenalina que há tanto tempo acompanhava seus primeiros passos enérgicos em direção à linha de chegada, que imaginava estar à sua frente. Mas não conseguia se lembrar de quando de fato começara a correr. E o pior, não conseguia se lembrar por que estivera correndo. Fora tão excitante no início, mas, de repente, ao longo do caminho, a alegria tinha sido substituída pela exaustão, e uma sensação de amortecimento acabara com toda a esperança: não havia linha de chegada.

Deitado ali sobre a palha úmida, Henry fechou os olhos e deixou que sua respiração voltasse lentamente ao normal. Nesse ramo de inatividade, sentiu cheiro da realidade do mundo a sua volta pela primeira vez há muito tempo. Desfrutou de tudo aquilo, mas apenas por um momento. O som que vinha do moinho chamou sua atenção, fazendo-o abrir os olhos. Virou a cabeça a tempo de ver a imensa roda do moinho rangendo enquanto parava.

Sentou-se devagar e olhou para a máquina que dominara tanto a sua vida. “Esse moinho o está matando”, era uma voz conhecida que lhe falava lá do fundo do coração. “Não desperdice nenhum momento mais nessa corrida”, insistiu a voz, enquanto ele bebia um grande gole na fresca fonte de água ao lado. Devia haver mais coisas na vida do que a máquina oferecia. A água fresca o reanimou e sua respiração amenizou-se. Sentiu-se refrescado. Talvez pudesse começar uma vida nova. Talvez hoje! Mas como? O que poderia fazer depois? Para onde iria? Que alvos buscaria?

Bem, aquelas decisões poderiam ser tomadas mais tarde. No momento, Henry sentia-se um pouco assustado com a perspectiva de mudanças. Até que pudesse elaborar os detalhes, ficaria com o conhecido e verdadeiro. E seguro.  Assim, ainda sonhando com as coisas que poderiam acontecer, inconscientemente subiu na roda pela milésima vez na sua curta vida. Logo, logo, o zumbido hipnotizador do moinho e o reflexo da luz, passando pelos raios da roda, bloquearam-lhe a dor. A liberdade e a aventura podiam esperar. Aquela roda não exigia riscos, nem fé, nem pensamento. Poderia viver suas novas aventuras mais tarde. Era preciso apenas correr.

Se ainda não percebeu, Henry é um hamster. Mas sua vida é um paralelo da vida de muitos homens e mulheres do século XX. Presos numa roda de monotonia e conformismo, percebem apenas os vislumbres das verdadeiras possibilidades que a vida tem para oferecer. Esses breves vislumbres de esperança são momentos de oportunidades, geralmente perdidas por causa da dificuldade de saírem do círculo vicioso em que vivem. Manter a roda girando os deixa ocupados demais para planejar uma mudança significativa. Além disso, traçar um novo rumo para um futuro desconhecido é assustador –e a vida rotineira, embora estressante, é segura.

Outro dia li uma breve biografia que resumia o tempo de vida de milhares de pessoas que preferiram trilhar o caminho da banalidade, sem nunca aceitar o desafio de deixar o lugar comum, a roda da infelicidade, a mediocridade, e ascender à dimensão mais alta de seu próprio potencial. Talvez, você já tenha lido: “Salomon Grunday… nasceu numa segunda-feira… Batizado numa terça… Casado na quarta… Adoeceu na quinta… Piorou na sexta… Morreu no sábado… Foi enterrado no domingo… E este foi o fim de Salamon Grunday.”

Certamente, a história de uma vida irônica como essa é estimulada por uma sociedade apática que prefere o atalho fácil ao caminho produtivo; exalta a displiscência, ao invés da diligência, promove uma ética de trabalho que se concentra mais nos direitos do que nas responsabilidades, balança os ombros em vez de estender a mão de ajuda, responde ao chamado para agir com a pergunta: “Qual o papel nisso?” E prefere continuar girando na roda que leva a lugar nenhum.

Fuja da roda e… sucesso!

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Música: Não há pedras no caminho… Banda Aquática Álbum: Nova Manhã
Texto: Daniel Carvalho Luz, Livro Insight – Editora DVS

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